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Nutrição Esportiva para Futebol Americano

July 1, 2019

     O Futebol Americao (FA) pode ser caracterizado como um esporte acíclico com muitas funções sendo continuamente realizadas. Por exemplo, um único jogador pode recuar, cortar, acelerar e atacar um adversário em uma determinada jogada. Assim, os jogadores precisam ter uma combinação de qualidades físicas para serem capazes de lidar com colisões intensas e ataques de alta intensidade de exercícios que são curtos em duração, mas freqüentes durante um jogo de 60 min de tempo normal de jogo, mas que podem ter em média 3 a 4h de duração em tempo real. Essas repetidas ações de curta duração, mas de alta intensidade no decorrer de um período prolongado, sugerem uma combinação de contribuições energéticas do sistema energético da fosfocreatina (PCr) e da via glicolítica anaeróbica.

     Creatina é o principal substrato energético nos primeiros 10 segundos de exercício, o sistema energético de fosfocreatina demoraria de 3 a 5 minutos em repouso para restauração 100%, no entanto, jogadas repetidas específicas com curtos períodos de descanso também podem colocar uma demanda adicional no sistema aeróbico. Isso pode ser preocupante, pois a resistência cardiovascular dos jogadores de futebol não é historicamente bem desenvolvida.

 
     Todos os atletas precisam desenvolver características de força, potência, velocidade e condicionamento. Musculação, crossfit/funcionais/ atletismo e treinos técnicos são a combinação ideal de exercícios para melhorar rendimento de um atleta e a diferenciação de composição corporal por posição é explicada pelas características únicas de cada posição, pois cada posição necessita um esforço físico e uma composição corporal adequada para cumprir seu proposito e ter sucesso em sua função.

     A especificidade do treinamento para cada posição é importante para diferenciação correta de fibras musculares. Fibras tipo I são fibras aeróbicas- exigem uso de oxigênio, contração lenta , longa duração. Fibras tipo II são de contração rápida, exercício anaeróbio, uso de creatina e glicose. Geralmente etnia negra possui maior concentração de fibras tipo II por isso a superioridade em atletismo ou qualquer outro esporte que exija exercício de alta intensidade.

 

 


     A estatura e o tamanho do corpo são considerados os principais contribuintes para o desempenho no FA. A tendência tem sido que a massa muscular aumente cada vez mais ao longo do tempo, com melhorias associadas em força, potência e velocidade. Em atletas de primeira divisão de faculdades, as medidas de gordura corporal normalmente variam de 9 a 24% em posições com massa na faixa de 88 a 137 kg quando entram no campo de treinamento no início da pré-temporada. OL e DL demonstraram possuir ~ 9% a mais de massa gorda do que as posições especializadas, possivelmente aumentando a suscetibilidade a riscos à saúde devido ao seu tamanho.

 

     Atletas de FA sofrem grande estresse fisiológico em uma série de jogadas de curta duração e alta intensidade, através de corridas combinadas e repetitivas com frequência de contatos em um jogo estratégico e tático. Altas demandas de energia e sobrecargas durante jogos sem recuperação adequada podem causar a curto prazo diminuição de força, dano muscular (o que diminui ação do sistema atp-ck causando diminuição da explosão) e aumento de cortisol. Uma recuperação adequada pós jogo ou treino intenso exige que as 24 a 48h recorrentes tenham estratégias como sono adequado, nutrição, imersão em gelo, compressão (roupas) , recuperação ativa (treinos regenerativos). A nutrição esportiva é um componente crítico de qualquer programa de treinamento; no entanto, muitas vezes é negligenciado por atletas.

 

     

 

     A SBME (2009) descreve que a reposição hídrica em volumes equivalentes aos das perdas de água pela sudorese é benéfica para a termoregulação. A água é a principal opção para reidratação durante a prática de exercício físico, porém, naqueles intermitentes com mais de uma hora de duração ou em atividades de menor duração e de elevada intensidade, ela não é suficiente. Há necessidade de reposição de eletrólitos, bem como de carboidratos para que não ocorra a desidratação voluntária no indivíduo, dificultando o processo de equilíbrio hidroeletrolítico (American College of Sports Medicine, 2007; SBME, 2009).

     Atenção redobrada a hidratação em jogadores de FA, os equipamentos causam maior sudorese portanto é necessário hidratação constante principalmente em atletas com maior tecido gorduroso. Quando a prática de exercício físico é realizada em condições desfavoráveis de temperatura e umidade a performance e a saúde do atleta ficam comprometidos. O processo de desidratação diminui o volume sanguíneo e o rendimento cardíaco, bem como a eficácia no processo de transpiração, prejudicando respostas fisiológicas do atleta.

     A suplementação específica de creatina e B-alanina pode contribuir pela característica do esporte. Os ácidos graxos ômega-3, a curcumina e o resveratrol mostraram ter efeitos protetores para minimizar fatores inflamatórios e a suplementação de DHA possui forte influência em minimizar os efeitos de concussões.

 

     As necessidades de macronutrientes seguem as mesmas diretrizes de qualquer outro esporte. Proteínas devem ser calculadas a partir do peso do atleta, sendo importantes para recuperação das fibras musculares e lipídeos devem ser em sua minoria, saturados. Os carboidratos devem ter uma atenção especial principalmente antes e durante jogos ou treinos intensos, a depleção de glicogênio muscular pode diminuir performance e consequentemente força, potência e velocidade.

 

 

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas


Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME). Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Rev Bras Med Esporte. Vol. 15. Num. 3. 2009.
American College of Sports Medicine (ACSM). Exercise and fluid replacement. Med Sci Sports Exercise. Vol. 39. Num. 2. 2007.


Pinto, S. I. F.; Berdacki, V. S.; Biesek, S. Avaliação da Perda Hídrica e do Grau de Conhecimento em Hidratação de Atletas de Futebol Americano. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva. Vol. 8. Num. 45. 2014.


Confederação Brasileira de Futebol Americano-CBFA. Regras oficiais de futebol americano de grama da IFAF/AFAB 201 (Português).


Bosch, T. A.; Carbuhn, A.; Stanforth, P. R.; Oliver, J. M.; Keller, K. A.; Dengel, D. R. Body composition and bone mineral density of Division I collegiate Football players, a consortium of college athlete research (C_CAR) study. Journal of strength and conditioning research, in press, mar. 2017. FULLAGAR, Hugh H.K. ; MCCUNN, Robert; MURRAY, Andrew. An updated review of the applied physiology of American collegiate football: The physical demands, strength/conditioning, nutritional considerations and injury characteristics of America’s favourite game. International Journal of Sports Physiology and Performance, United States of America, p. 4-20, 7 mar. 2017.

 

 

 

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